sexta-feira, 27 de maio de 2011




(...) Todas as vezes na vida que eu falei em absolutismos eu sabia que estava mentindo porque, pra mim, tudo sempre é imediato, porque eu não tenho a mínima paciência de não ser mimada... Mas sempre, sempre, cinco minutos depois, tudo passa. Nunca menos e raramente mais do que isso, cinco minutos, e tudo vai embora porque é assim, as coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua, com ou sem qualquer um.

Só que esse sempre foi e ainda é o seu problema. Não ser o um que não faz falta, não ser a noite perdida num canto de um balcão qualquer, não ser o beijo de hálito gelado, tesão quente e vontade limitada. O seu problema, é ser um problema sem solução. É ser vontade pra mais de anos, é ser virtude pra uma vida inteira, é ser idealizado porque há tanto tempo eu, você e o mundo que nos cerca, separados, esperamos tanto...

Pra mim, é dificil aceitar e entender que eu tentei te deixar pra trás, como todo o resto, mas não consegui. É dificil olhar os fatos, comprovar as dificuldades, ter preguiça, sentir cansaço, doer, arder, ferver e, mesmo assim, não conseguir te colocar dentro de um prazo. Seu prazo de validade não venceu em cinco minutos...”


Rani Ghazzaoui

quarta-feira, 25 de maio de 2011



"Sabe quando a gente era criança e acreditava em conto de fadas? Naquela fantasia de como seria a vida... Vestido branco, príncipe encantado, que levaria a gente para um castelo nas montanhas... Deitava na cama a noite, fechava os olhos e tinha a mais completa fé... Papai Noel, fada dos dentes, príncipe encantado... Eles pareciam tão reais que a gente quase tocava neles! Mas com o tempo a gente cresce, e um dia a gente abre os olhos e o conto de fadas já era. A maioria se apoia em coisas e pessoas das quais pode confiar. Mas o fato, é que é difícil se livrar do conto de fadas completamente, porque quase todos ainda tem aquela esperançazinha, aquela fé, de que algum dia, vão abrir os olhos e tudo vai virar realidade.
No fim do dia, a fé é uma coisa engraçada. Ela aparece quando você não a espera... É como se um dia você percebesse que o conto de fadas pode ser levemente diferente do que você sonhou. O castelo... bem, pode não ser bem um castelo. E não é tão importante que seja feliz depois de tudo, apenas que seja feliz agora. Veja, de vez em quando... muito raramente... as pessoas vão te surpreender. E de vez em quando... as pessoas vão tirar o seu fôlego."

Grey's Anatomy

segunda-feira, 23 de maio de 2011

36 prestações de saudade




"Dizem que tudo na vida tem dois lados. Um bom e outro ruim. Depende nos olhos de quem está a pimenta. Mas se tem algo realmente ambiguo para uma única alma é um troço chamado saudade. Com ou sem primenta nos olhos. O dito popular é quem melhor traduz a dualidade de uma saudade quando diz que esta é a maior prova de que o amor valeu a pena. Então sentir a falta é bom. E ruim. Em todos os pontos de vista. Vai entender...

Saudade é amar um passado que nos machuca no presente. É uma felicidade retardada. É deitar na rede e ficar lembrando das ardentes reconciliações depois de brigas homéricas por motivos desimportantes. Sente-se falta de detalhes, como uma toalha no chão, dias chuvosos, da cor dos olhos. A saudade só não mata porque tem o prazer da tortura.

Saudade é o amor que não foi embora ainda, embora o amado já o tenha feito. Ter saudade é imaginar onde deve estar agora, se ainda gosta de vinho bordeaux, se chorou com a derrota do Grêmio no campeonato nacional, se tem tratado aquela amigdalite. E quando a saudade não cabe mais no peito, se materializa e transborda pelos olhos.

Sentir saudade é ter a ausência sempre do seu lado. É mudar radicalmente a rotina, comer mais salada e menos sorvete, frequentar lugares esquisitos, ter dias mais compridos, ter tempo para os amigos, para o vizinho e para a iguana do vizinho. A saudade é a inconfortável expectativa de um reencontro.

Às vezes a saudade é tão grande que nem é mais um sentimento. A gente é saudade. É viver para encontrar o olhar da pessoa em cada improvável esquina, confundir cabelos, bocas e perfumes, sorrir com os lábios tendo o coração sufocado. Porque mesmo a saudade sendo feita para doer, às vezes percebemos que ela é o meio mais eficaz de enxergar o quanto amamos alguém, no passado ou no presente.

Por que a saudade é o muro de Berlim desmoronado no chão, capaz de agregar opostos, como a tristeza e a felicidade em uma coisa híbrida. Se você tem saudade é sinal que teve na vida momentos de alegria com ela ou ele! No fim das contas, a saudade que agora lhe maltrata nada mais é que uma dívida sendo paga em longas 36 prestações pelo amor usufruído. Agora aguenta..."


Gabito Nunes

Reflexões


Andei pensando. Fazia tempo que não começava um texto assim. Mas andei pensando. Por favor, não fique assustado. Sei que às vezes meus pensamentos são estapafúrdios e totalmente fora de propósito. Juro que me esforço.

Hoje acordei com uma energia boa. E olha que o dia tinha tudo pra ser um grande desastre. Amanheceu feio, tímido, chorando. Vejo um lado bonito na chuva, me traz uma melancolia boa, uma vontade de pensar sobre as coisas, uma vontade de fazer mais por mim, por você, por todo mundo.


Nossas escolhas estão bem aqui, no coração. Não pense que está no colo de um, na mão de outro. Não se adie, por favor. E não se entregue. Aconteça o que acontecer: não se entregue. Não mude seu jeito por ninguém. Mude suas caras, bocas e trejeitos se quiser. A gente é o que é e quem não gosta, paciência. Não se traia, não se mude, não se mova. Seja você.


Tenho gostado tanto de mim. Mesmo com minhas estranhezas e incertezas. Mesmo com meus medos - sou cheia deles, principalmente quando anoitece. Tenho medo. Do escuro, do desconhecido, do que não vejo. E tenho medo de ver o que não sei ainda. Parece papo de louco, eu sei. Mas você sabe? Sabe que existem muito mais coisas do que a gente pode ver, crer, tocar, sentir?

Quanto mais o tempo passa mais percebo que somos pequenos. Tão pouco. Temos tanto o que aprender, o que conhecer. E ao mesmo tempo ficamos estagnados, petrificados. O mundo não para de rodar, nos obriga a decidir, a partir, a ficar, a voltar. E ninguém pergunta o que você quer, como você se sente, o que pretende, o que sonha, se está feliz, satisfeito, se existe algum jeito. E tem. Tem muitos jeitos. Tem o seu jeito. E pra tudo tem remédio, saída, solução.


Reflita. Se perceba. Se decida. E procure ser feliz hoje. Buscar você mesmo em algum canto. E abraçar, beijar, seguir em frente sem olhar o que ficou.


Clarissa Corrêa

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Da falta de sorrisos


Sou sempre a pessoa que mais ri da turma, o sinônimo de alegria é o meu nome. Mas tem dias que os fatos me afetam e eu não sou só sorrisos, tem dias que a TPM ataca e eu não to pra ninguém. Tem dias que simplesmente eu não acordo de bom humor e aí o mundo inteiro põe para mandar eu colocar um sorriso na cara, como se existisse uma lei que diz que nenhuma pessoa pode acordar de mal humor.

Não vivo mandando ninguém desmanchar a tromba quando estão de mal humor, só fico esperando que não sobre pra mim. Eu tento não descontar o meu nos outros também, mas aí o mundo insiste, insiste, insiste e então consegue: ganha uma bela patada com direito a cavalinhos relinchando como plano de fundo da situação.

Não é obrigação minha, nem sua, nem do cara que vende pipoca, nem do cachorro, distribuir simpatia o dia todo, todo dia. Nem o Sol quer sorrir e se mostrar todo dia, porque logo eu tenho que fazer isso? Esse tipo de gente que fica esperando meu sorriso se desmanchar para começar a falar que eu virei a senhora-do-mal-humor não merece o meu respeito, não mesmo. Desculpa aí se o melhor dia da tua vida não é o meu, mas eu não preciso adaptar o meu humor a você que fica me julgando. Ninguém vai querer que eu fique dizendo "você está muito chato hoje" quando não estiver em um dia bom, quando os acontecimentos não te deixam sorrir.

A minha cara feia para o mundo tá te incomodando hoje? Some de perto, é simples. Sobrou pra você que não tem nada a ver com o que me aconteceu para estar de mal humor só porque você mandou eu melhorar a cara? Bem feito! Vou fazer a mesma coisa se você tentar mais uma vez. Não é só porque eu te digo "bom dia" todos os dias que os meus dias são sempre bons. Oi, eu sou humana, tenho sentimento e as vezes eles não estão de bem comigo. Oi, eu sou mulher, tenho paixão por sapatos, TPM, pavor a homens metidos e dias ruins também. Assim, como você.

Meu humor não é sempre ácido assim, eu não sou sempre triste assim, já disse isso. Sou até doce, bem doce. É só respeitar o meu espaço, é só esperar meu sorriso voltar. Ora, ele sempre volta, tira um dia para não aparecer, mas volta. Espera só um pouquinho e vai ver que eu não sou tão má quanto pareço, que meu rosto fica iluminado quando sorrio. Eu sei que fica. Espera só um pouquinho e aí você pode me encher com qualquer assunto, qualquer bobagem, qualquer história, mas só depois. Agora, enquanto eu to quieta no meu canto, me deixa assim. Se eu sinto raiva ou tristeza não importa, só me deixa quieta. É melhor para você que não vai ganhar um toco de presente. É melhor para mim que não vou ser incomodada. 

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Aquelas coisas que a gente espera



É inevitável, mas bem ou mal a gente sempre acaba esperando algo dos outros. Nem que seja um obrigado. Talvez a vida fosse bem mais simples, lágrimas fossem evitadas e corações fossem poupados se a gente simplesmente não esperasse nada. Mas a gente espera. Espera sempre. Espera pouco. Espera médio. Espera muito. O fato é que a gente espera alguma atitude, algum gesto, nem que seja abanar lá de longe, fazer um sinal de positivo com a cabeça, um sorriso com o olhar, alguma coisa (por menor que seja).


A falta de educação das pessoas é impressionante. Não sabem agradecer, jogam bituca de cigarro no chão, cospem chiclete no meio da rua, não limpam o cocô do cachorro, não se importam com o outro. Por favor, se importe com você. É bonito, é legal, é saudável. Mas se importe com o outro, com os outros, com o que você faz diariamente. Deite a cabeça no travesseiro tendo a certeza de que fez o melhor que podia naquele dia.


Não quero jogar no seu colo um papinho autoajuda, muito menos te convencer de que estou certa. É claro que normalmente prefiro estar certa. Mas isso não vem ao caso. Todo mundo está esquecendo de ser gentil, de abrir a porta, de segurar o elevador, de retribuir um bom dia, de fazer uma gentileza assim, gratuita, bonita.


Vou dizer que espero. Espero um retorno, espero educação, espero boa vontade. Penso: se eu faço o outro também pode fazer. Queria não me estressar tanto, não sonhar demais, não ficar esperando coisas mágicas. Mas sou assim, toda intensa, toda esperançosa nessa humanidade carente de atenção, afeto, carente de olho no olho, de cafuné e de compreensão.


A gente deve fazer sem esperar algo em troca, eu sei, nos ensinam isso desde pequenos. Mas me choco com pequenas coisas do dia a dia. Toda vez que venho para a agência, por exemplo, me assusto. As pessoas abrem a porta e não seguram, pois pouco se importam se a porta vai parar no meio da sua cara. Você coloca o cartão na roleta, passa e quem está dentro do elevador ouve o barulho da roleta, ou seja, sabe que tem alguém passando e mesmo assim não segura o elevador. O que é isso? Pressa? Correria? Está atrasado? Não, é mal educado mesmo. O mundo não vai terminar se a pessoa esperar 30 segundos. Fico besta com isso. E quando seguro o elevador para alguém, o que acontece sempre, as pessoas me olham e dizem: nossa, obrigada, aqui todo mundo entra e não espera o outro, né? É. E isso tá errado. Completamente errado.


A cada dia que passa eu observo com surpresa que os valores estão invertidos. Crianças se tornando adultas cada vez mais cedo, pessoas cada vez mais rancorosas, o mundo virando do avesso, ninguém se importa com nada, a não ser com o próprio umbigo. Isso me entristece e assusta. Por isso, vez ou outra perco a fé no ser humano. Mas aí vem um dia depois do outro e tento ver as coisas com um pouco mais de esperança, afinal, é o que resta para todos nós.

Clarissa Corrêa


"Seu andar inclinado para a frente, o modo como ficava numa perna só enquanto escovava os dentes, o modo como ele batia o pé ao escutar 'Brown Sugar', o modo como segurava meu rosto com as duas mãos e me beijava. Eu queria construí-lo dentro de mim para jamais esquece-lo."

Elissa Schappell in Use-me